O novo grande modelo de linguagem português já foi apresentado publicamente. Chama-se AMALIA e tem assinatura INESC TEC

Chama-se AMALIA o mais recente grande modelo de linguagem (LLM – large language model, em inglês) português e o INESC TEC foi um dos parceiros deste projeto que foi apresentado publicamente no dia 1 de julho, no Centro de Inovação do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.

O modelo de linguagem AMALIA – concebido de raiz para a realidade linguística e cultural portuguesa – já está disponível, em formato open source, na plataforma Hugging Face, desde ontem.

Em 18 meses, e com um investimento de 5,5 milhões de euros, o LLM português já é de acesso aberto, mas não estará disponível para utilização direta pelo público em geral. Concebido como um modelo base de código aberto, o AMALIA destina-se ao desenvolvimento de aplicações específicas, alimentadas por bases de dados próprias, em vez de funcionar como um chatbot generalista, como são os casos do ChatGPT ou do Claude.

No que diz respeito ao desenvolvimento do AMALIA, a equipa do INESC TEC envolvida foi responsável pelo domínio dos media em tarefas, tais como sumarização abstrativa de fontes, identificação de narrativas dominantes, deteção de técnicas de persuasão, geração automática de textos informativos ou criação de legendas para imagens.

“A participação do INESC TEC no AMALIA é importante porque mostra como o investimento continuado em ciência, capacidade tecnológica e parcerias institucionais pode dar origem a instrumentos concretos de autonomia nacional. O projeto traduz uma aposta em soberania digital, valorização da língua portuguesa e desenvolvimento de aplicações de elevado valor público. A equipa da U.Porto, da Universidade da Beira Interior (UBI) e do INESC TEC contribuiu em particular para o domínio dos media, uma área essencial para tratar informação pública complexa com maior rigor, contexto e clareza. Estamos totalmente disponíveis para colaborar nos próximos passos e para ir ainda mais além”, como disse João Claro, presidente do INESC TEC, que esteve na cerimónia pública de apresentação do AMALIA.

Os investigadores do INESC TEC que estiverem envolvidos no desenvolvimento do LLM português foram Alípio Jorge – agora vice-reitor da U. Porto -, Ricardo Campos – investigador do INESC TEC e docente na Universidade da Beira Interior (UBI), Sérgio Nunes – investigador do INESC TEC e docente na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) -, Nuno Guimarães investigador do INESC TEC e Purificação Silvano – colaboradora do INESC TEC e docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP). No total estiveram envolvidos cerca de 20 investigadores, incluindo estudantes de diferentes graus académicos da Universidade do Porto e Universidade da Beira Interior.

O projeto foi coordenado pelo Instituto Superior Técnico e pela Universidade Nova de Lisboa/FCT e um dos seus coordenadores, o investigador João Magalhães, explicou que o modelo vai ser utilizado em aplicações específicas da administração pública. Assim, está prevista a sua utilização para o Gov.pt, o portal de serviços públicos do governo, onde o AMALIA será usado como assistente virtual para interação com os cidadãos.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi um dos protagonistas da apresentação pública – tais como outros intervenientes como o Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Ministro da Reforma do Estado, entre outros – , onde explicou que, para Portugal, o AMALIA representa uma nova capacidade nacional, habilitando o país a enfrentar os próximos anos com maior autonomia, soberania e independência.

O AMALIA tem um website disponível com toda a informação necessária sobre este projeto e onde é possível, entre outros, verificar os domínios específicos onde se prevê a sua utilização. Para além do já referido – a administração pública -, está prevista a sua aplicação na educação, cultura e museus, media e ciência.

Fizeram parte do desenvolvimento do AMALIA investigadores da NOVA FCT, Instituto Superior Técnico, INESC TEC, Universidade do Porto, Universidade do Minho, Universidade de Coimbra, Universidade da Beira Interior, Universidade de Évora, além da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, com destaque para o Arquivo.pt e a Agência para a Reforma Tecnológica do Estado.

 

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