Chama-se HARPA (Human-centered Approaches to Responsible Privacy for and with AI) e consiste numa rede de investigação científica e tecnológica interdisciplinar que aborda a necessidade urgente de proteger a privacidade numa era dominada pela Inteligência Artificial (IA).
João Vilela, investigador do INESC TEC na área de computação, e professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, foi nomeado como um dos dois representantes nacionais do Comité de Gestão da HARPA, integrando assim um grupo de 27 parceiros transnacionais e intersectoriais.
De acordo com João Vilela, “a ação COST HARPA vem promover a cooperação europeia num tema premente: a utilização da IA com respeito pela privacidade, e esta nomeação é fruto da colaboração internacional e do trabalho que a minha equipa tem desenvolvido nesta área”. No fundo, a ação vai também dinamizar escolas de formação (training schools), eventos de networking e bolsas para missões científicas de curta duração, entre outras iniciativas. “Enquanto representante português no Comité de Gestão, irei divulgar estas oportunidades e incentivar o envolvimento da comunidade nacional nas atividades da rede”, defende o investigador.

Embora a IA ofereça um elevado potencial para aumentar a produtividade e a inovação, também aumenta os riscos para a privacidade ao processar dados pessoais em grande escala, muitas vezes sem transparência ou consentimento. Logo aí, os desafios são vários: conhecimento fragmentado, complexidade regulamentar transfronteiriça, falta de capacidade e inclusão, e lacunas na educação e na sensibilização. É para dar resposta a estes desafios que a HARPA reúne especialistas em computação, direito, psicologia e interação humano-máquina, numa missão dupla: mitigar os riscos de privacidade decorrentes do uso de IA e aproveitar a própria IA para desenvolver soluções de privacidade utilizáveis e centradas no ser humano.
Financiada pela organização europeia COST Association (European Cooperation in Science and Technology), os objetivos da ação COST HARPA (CA25153) incluem a construção de uma estrutura conceptual para a privacidade centrada no ser humano, a harmonização de metodologias e a análise de falhas recorrentes da utilização da IA. Em simultâneo, pretende também criar um repositório aberto, promover a formação de jovens investigadores, aumentar a consciencialização e transformar os princípios éticos em soluções práticas através da colaboração interdisciplinar.
A reunião de lançamento da rede aconteceu no dia 11 de setembro, em Bruxelas, tendo o projeto uma duração de quatro anos, com financiamento de atividades de cooperação e networking em cerca de 600 mil euros.

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