O que aconteceria se fosse possível alimentar sensores industriais sem cabos nem baterias, mesmo em ambientes extremos? E se linhas de alta tensão pudessem ser monitorizadas continuamente sem risco elétrico para os operadores? Ou se sensores colocados em turbinas, plataformas offshore ou motores aeronáuticos deixassem de precisar de manutenção frequente?
A resposta pode estar na utilização de sensores de fibra ótica e transferência de energia sem fios. Pelo menos, é o que o investigador do INESC TEC, Paulo Robalinho, orientado pelo também investigador do Instituto Orlando Frazão, aponta na tese Advanced Fiber-Optic Devices for Harsh Environments Based on High-Power Wireless Energy Transfer and Novel Interferometric Architectures, que lhe valeu o prémio de melhor tese, atribuído pela Sociedade de Ótica e Fotónica.
Mas, afinal, em que consiste a tese premiada? O investigador do INESC TEC explica que desenvolve duas tecnologias distintas, mas complementares. Ambas pensadas para funcionar em condições extremas. “A primeira consiste no abastecimento de energia sem fios através de lasers contínuos em fibra ótica; a segunda no desenvolvimento de sistemas de sensorização interferométrica, incluindo interrogadores e sensores”, adianta.
O objetivo, garante, é o “desenvolvimento de sistemas óticos para a transmissão de energia sem fios por meio de feixes laser, com o intuito de viabilizar o abastecimento de sistemas localizados em zonas remotas, bem como de sensores em fibra ótica baseados no efeito de Vernier, com o objetivo de aumentar a sensibilidade”.
Na prática, há inovação em duas áreas tecnologias. Por um lado, em termos energéticos, apresenta a possibilidade de alimentar sistemas onde instalar um cabo é difícil ou mesmo impossível. Em vez de eletricidade por fio, a energia viaja sob a forma de luz através de fibra ótica, o que reduz o peso, elimina riscos elétricos e torna o processo mais seguro em ambientes com radiação.
Na área dos sensores, a investigação criou dispositivos de fibra ótica capazes de detetar deformações minúsculas com precisão extrema e um equipamento que os lê 4 000 vezes por segundo: rápido o suficiente para monitorizar em tempo real fenómenos como vibrações ou impactos em satélites e outros ambientes extremos.
Terminada a tese, Paulo Robalinho continua a desenvolver trabalho na área de sensores distribuídos em fibra ótica, recorrendo tanto à aplicação de DAS (Sensorização Acústica Distribuída) como a medições polarimétricas. “Além disso, continuo a colaborar no desenvolvimento de sistemas baseados no efeito Vernier e na técnica WLI, prevendo-se novas publicações para os próximos meses”, conclui.

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